segunda-feira, abril 24, 2017

Humanidades (s) III - A origem do Homem



Fonte: A História do Homem, Robin Dunbar
Durante algum tempo fomos colocados numa posição solitária entre os símios. Esta visão alterou-se há cerca de uma década, em que se concluiu que os humanos partilham um ancestral comum mais recente com os chimpanzés do que qualquer dos dois com os gorilas ou os orangotangos, por exemplo. As diferenças entre nós e o resto da criação foram reforçadas pela tradição judaico-cristã (ainda que não em todas as tradições religiosas) pela crença que nós, humanos, éramos de algum modo especiais aos olhos do todo-poderoso.Com a evolução surgiu outra perspectiva: os humanos não são o pináculo da evolução, pois todas as espécies que sobrevivem são igualmente boas, na medida em que estão bem adapatadas (caso contrário, ter-se-iam extinguido). Não somos, tal como durante tanto tempo acreditamos, o produto de uma criação divina especial. Somos apenas outro símio (um pouco mais inteligente...às vezes, digo eu).

Adaptado de A História do Homem, Robin Dunbar

Genealogia dos Hominídeos
Retirado de O Colar do Neandertal, Juan Luis Arsuaga


sábado, abril 22, 2017

Humanidade(s) II - A origem do Homem



Uma vez que somos humanos é impossível não nos focarmos nas nossas origens. Aqui reside o perigo. Os humanos não são o auge da evolução. Tudo aquilo que antes se passou não foi um prelúdio para o aparecimento dos seres humanos, que chegaram, aparentemente, com grande pompa. Convém sermos humildes, pois a evolução não é teológica ou movida por objetivos. Apenas é! Durante o Paleocénico, os mais proximos antepassados dos humanos eram pequenos animais magricelas parecidos com esquilos, de passo rápido e nervoso. Não estávamos em presença  de nenhum sinal de génio latente ou de um futuro ser inteligente (às vezes pouco, digo eu...) dominador do planeta. Esta é uma viagem ao interior de nós próprios. Para entender o que é ser humano, temos de entender a nossa mente. É aí, na nossa capacidade de refletir sobre nós mesmos e sobre o nosso relacionamento com o mundo que parecem residir as diferenças entre nós e o resto dos seres vivos. Os nossos atríbutos físicos e grande parte dos nossos comportamentos não são excecionais.O que nos distingue é a vida mental e a capacidade de imaginar. A nossa história tem sido longa, mas não existiu uma sequência precisa de mudanças que conduziram inexoravelmente dos símios aos humanos com alguma inevitabilidade divina; estamos cá, mas podíamos não estar...Existiu apenas o eterno caos da história evolucionária.
Não existe um ponto na nossa história para o qual possamos apontar com segurança e dizer: "Ah, e aqui tornámo-nos humanos". Talvez fosse melhor ver a nossa história como uma história de crescentes graus de humanidade. Estivessem os neandertais, os erectus e os habilis ainda vivos e o fosso entre nós e os outros grandes símios seria menos evidente. O facto de já não existirem, levou a que exagerássemos a nossa aparente singularidade e tem sido responsável por nos dar uma falsa sensação da nossa própria importância. Isto acaba por resultar na tendência para antromorfizar tudo o que nos rodeia; temos que nos defender contra este estigma quando tentamos compreender o mundo ao nosso redor.
Há cerca de 40 mil anos haveria de surgir na Europa uma subespécie de Homo sapiens, vinda de África tal como a de Neandertal. Deu-se-lhe o nome de Homos sapiens sapiens ou Homem de Cro-Magnon. Por razões pouco claras o Neandertal acabou por se extinguir. Alguns investigadores consideram a sua extinção, quando da chegada à Europa dos Cro-Magnon. Estes já tinham uma crença religiosa que lhes proporcionava a possibilidade de agir em grupos maiores, com mais união e motivação, ao confrontar-se ecologicamente com o primeiro. Desde essa data até aos dias de hoje só existe uma única espécie de Homem, mas entre os dois milhões e os vinte e oito mil anos atrás, deambularam pela Terra entre duas a cinco espécies de seres humanos...
 














Obras consultadas:

A Educação dos genes, Luís Bigotte de Almeida
A História do Homem, Robin Dunbar
Breve história da vida, Michael Benton

domingo, fevereiro 12, 2017

Humanidade(s) I - A origem do Homem

Tribo atual das Ilhas Vanuatu
"Lamento pensar que muitas pessoas não sabem que o Homem descende de uma forma de organização inferior, mas "poucos" terão dúvidas que descendemos de bárbaros. Nunca poderei esquecer a surpresa que senti ao assistir pela primeira vez a uma festa de fuegianos numa região do litoral selvagem e escarpada (atual terra do fogo, na América do Sul), pela reflexão que de súbito me veio à mente: eram assim os nossos antepassados. Estes Homens estavam completamente nus e cobertos de pinturas, com os cabelos compridos, as bocas a escumar e uma expressão selvagem e desconfiada. Por meu lado, preferia descender de um macaquinho, do que de um selvagem que se deleita a torturar os inimigos, oferece aos deuses sacrifícios sangrentos, pratica o infantícidio, trata a sua mulher como escrava e está imbuído das superstições mais grosseiras. Apesar de todas a suas nobres qualidades, o Homem ainda tem impresso na sua consciência física o cunho indelével da sua origem inferior."
 
Adaptado de A descendência do Homem, Charles Darwin
 

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Carta para Josefa, minha avó

Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.

Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.

Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.

Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.

É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.


José Saramago, "Deste mundo e do outro"



Crónica publicada por Saramago em 14 de março de 1968, no jornal lisboeta “A Capital”. A velha senhora era analfabeta. Trinta anos depois da publicação da carta, o neto dela receberia o Prémio Nobel de Literatura.

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Humanidade(s) - A origem do Homem

Seria Deus, por acaso, um criador tão parco em imaginação que só foi capaz de inventar um reduzido número de modelos a partir dos quais se viu obrigado a desenvolver variantes? A teoria da evolução dá uma resposta diferente a este problema: as espécies parecidas descendem de um antepassado comum próximo no tempo, ou seja, são estreitamente aparentadas. Será possível, afinal, que sejamos tão diferentes dos chimpanzés? Na verdade só nos diferenciamos deles 1%, dos nossos 30 000 genes. Mais ainda, estima-se que não serão  mais de 100, quiçá 50, os genes responsáveis pelas diferenças cognitivas entre uns e outros. Esta pequena alteração genética converteu-nos numa espécie com propriedades mentais únicas (às vezes nem tanto, digo eu...). 

 Adaptado de O colar do Neandertal, Juan Luís Arsuaga


A fusão dos cromossomas ancestrais deixaram vestígios 
de telómeros e um centrómero vestigial
Os chimpanzés, ao contrário dos humanos que têm 23 pares, têm 24 pares de cromossomas. A razão, que imediatamente se torna evidente, não consiste em ter desaparecido em nós um par de cromossomas, mas sim em dois dos cromossomas dos primatas se terem fundido. Pensa-se que o cromossoma 2, o segundo maior dos cromossomas humanos, se tenha formado a partir da fusão de dois cromossomas de médias dimensões dos grandes primatas, tal como pode ser visto a partir do padrão de bandas pretas nos respectivos cromossomas. O Papa João Paulo II, na sua mensagem à Academia Pontifícia das Ciências de 22 de Outubro de 1996, argumentou que entre os grandes primatas ancestrais e os seres humanos modernos existia uma «descontinuidade ontológica» - um ponto onde Deus injectou a alma humana numa linhagem animal. Deste modo, a Igreja pode reconciliar-se com a teoria evolutiva. 

...Talvez o salto ontológico tenha ocorrido quando os dois cromossomas dos grandes primatas se fundiram e os genes da alma se encontrem sensivelmente a meio do cromossoma 2... :) 

Presentemente o cromossoma 2 é amplamente aceite como resultado de uma fusão telómero - telómero entre dois cromossomos ancestrais. As evidências disso incluem:
  • A correspondência do cromossoma 2 com dois cromossomas dos símios. O parente mais próximo do homem, o chimpanzé, tem sequências de DNA quase totalmente idênticas ao cromossoma 2 humano porém em dois cromossomos separados. O mesmo se verifica em relação ao gorila e ao orangotango.
  • A presença de um centrómero vestigial. Normalmente um cromossoma possui apenas um centrómero mas no cromossomo 2 encontram-se vestígios de um segundo.
  • A presença de telómeros vestigiais. Normalmente são encontrados apenas nos finais dos cromossomas, mas no cromossoma 2 encontramos sequências de telómeros a meio.  

domingo, janeiro 22, 2017

Eratóstenes - afinal a Terra é redonda!

Aquando da sua diretoria da grande biblioteca de Alexandria (200 a.C), leu num papiro que no posto fronteiriço sul de Siena (perto da 1ª catarata do Nilo), ao meio dia de 21 de Junho, varas verticais não faziam sombra. Ao mesmo tempo podia ver-se o reflexo do Sol na água no fundo de um poço (sinal de que a luz solar incidia totalmente na vertical sobre a Terra).

Teve então a presença de espírito para fazer a experiência seguinte:

Verificar se em Alexandria (no mesmo dia do ano) varas verticais davam sombra... descobriu que sim! Como era possível, pensou Eratóstenes - seria mais um capricho de Zeus! - se a Terra era plana?

Na sua opinião, tal só era possível se a superfície da Terra fosse curva e então a distância entre Siena e Alexandria seria de 7º ao longo da superfície (curva) terrestre.


  • Se as varas se estendessem até ao centro da Terra, intercetar-se-iam num ângulo de 7º, o que é cerca de 1/50 de 360º, a circunferência total da Terra;
  • Eratóstenes sabia que a distância entre Alexandria e Siena era de cerca de cinco mil estádios (800 Km).
  • Logo, multiplicando 800 Km x 50 (nº de vezes para perfazer o círculo) = 40 000 Km; essa devia ser, portanto, a circunferência da Terra. Apenas errou por 76 km!
Os únicos instrumentos que Eratóstenes dispunha eram varas, olhos, inteligência e gosto pela experiência. Com eles calculou o diâmetro da Terra com baixa margem de erro há 2200 anos atrás! Extraordinário...


Não admira que os seus contemporâneos lhe chamassem de "Beta", tal a sua grandeza.
 

domingo, janeiro 15, 2017

Nervo laríngeo - desígnio inteligente ou evolução?



Este nervo resulta da ramificação de um nervo craniano que provém diretamente do cérebro em vez da espinal medula. O nervo craniano, o vago, tem vários ramos, 2 dos quais dirigem-se ao coração e 2 laterais à laringe. Em ambos os lados do pescoço, um dos ramos do nervo laríngeo dirige-se à laringe, seguindo um percurso direto tal como seria escolhido por um projetista. O outro dirige-se à laringe mas realiza um desvio surpreendente. Mergulha no tórax, circunda uma das principais artérias que sai do coração e depois regressa ao pescoço para terminar a viagem. Enquanto resultado de um projeto, este nervo seria um disparate. Do
ponto de vista evolutivo faz todo o sentido, mas para o compreender precisamos de recuar ao tempo em que os nossos antepassados eram peixes. Os embriões humanos com cinco semanas assemelham-se a peixes com brânquias. Num embrião humano com vinte e seis dias vemos que o abastecimento sanguíneo às "brânquias" se assemelha fortemente ao abastecimento sanguíneo às brânquias de um peixe. Estas ramificações procuram os seus órgãos-alvo, as brânquias, pelo caminho mais direto e lógico. Durante a evolução dos mamíferos, contudo, o pescoço cresceu (os peixes não o têm) e as brânquias desapareceram, evoluindo para tiróide, paratiróide e laringe. Estes órgãos herdaram o abastecimento que outrora servia as brânquias. Durante a evolução dos mamíferos os nervos e vasos sanguíneos foram puxados e esticados em direções diversas. No tubarão esse nervo laríngeo não apresenta desvio, já na girafa (que melhor exemplo se poderia arranjar para esta situação?!), este nervo tem um desvio de 4 metros. Na sua jornada descendente, o nervo passa perto da laringe, que é o seu destino final. Todavia continua para baixo, percorrendo todo o pescoço antes de inverter o sentido e fazer o caminho de volta até esta. Isto exemplifica na perfeição como os seres vivos estão longe de terem sido bem projetados e refuta consistentemente a ideia de um projetista inteligente…

Adaptado de O espectáculo da vida, Richard Dawkins





 

domingo, janeiro 08, 2017

Foi há 400 anos

que Galileu levou a primeira reprimenda. O cardeal Roberto Bellarmino (1542-1621), figura importante da Igreja Católica, fora incumbido dessa missão impositiva pelo Papa Paulo V. Galileu é recebido na casa de Bellarmino, que o adverte de várias questões essenciais: 1- diz-lhe que a afirmação de que o Sol é o centro imóvel do sistema do mundo é temerária, quase heresia; 2- aponta-lhe que a afirmação de que a Terra se move está teologicamente errada; 3- proíbe-o de falar do heliocentrismo como realidade física, mas autoriza-o a referir-se a este apenas como hipótese matemática.
Depois da advertência de 1616, Galileu conteve-se por algum tempo e procurou cumprir...
Ao olhar através do telescópio, Galileu descobriu que por detrás das estrelas que pareciam fixas numa esfera de cristal existiam muitas outras a perder de vista, o que pôs em causa a localização do empíreo. Tendo Galileu revelado ao seu assistente a inexistência do empíreo, o mesmo jovem levantou a questão: "Onde está então Deus"? A resposta de Galileu: Dentro de nós ou em lado nenhum.
Afirmou, também, que podia provar matematicamente que a Terra gira em torno do Sol, não o contrário. Bellarmine, contrapôs que a realidade física não é explicável pela matemática mas pelas escrituras cristãs. Só que Galileu era um homem intelectualmente sério e corajoso, não receando a controvérsia que as suas ideias poderiam atear - Retirar à Terra o estatuto de centro do Universo seria "profanar" a casa da humanidade! Bem...Apenas pretendia substituir a autoridade da igreja por uma nova, a da Ciência no que às coisas físicas diz respeito. Tal é deveras interessante, já que Galileu era o que se podia considerar um bom cristão.


A teologia, focada no geocentrismo e antropocentrismo, teve e ainda tem de se ajustar às evidências galilaicas e da cosmologia contemporânea. O heliocentrismo provocou um real cataclismo teológico e filosófico. A inquisição limitou, naturalmente, o genial pensador. Galileu foi obrigado a abdicar das suas ideias, mas a verdade (que é como o azeite) acabou por vir ao de cima...Foi "reabilitado" na encíclica do Papa Pio XII, Humani generis, em 1950. Finalmente, o caso Galileu transitou em julgado depois que o Papa João Paulo II mandou rever o processo e admitiu por fim o erro da Igreja...quase quatro séculos depois :)
Obras consultadas:
Educação, Ciência e Religião de Alfredo Dinis (Teólogo)  e João Paiva (Químico)
Uma História da Matemática de Luís M. Aires

sexta-feira, dezembro 02, 2016

A mente biológica

Os processos do pensamento dependem do funcionamento cerebral, ou seja, possuem uma origem orgânica ou biológica. A mente reflete, afinal, um conjunto de funções do cérebro. Por conseguinte, qualquer alteração mental será orgânica. Infere-se que os processos mentais se encontram dependentes do funcionamento das sinapses neuronais. Estas têm três estados ontogénicos. Numa primeira fase ocorrem no ser em desenvolvimento; de seguida ocorre uma validação destas sinapses e a modelação de novas. Por fim, e ao longo da vida, haverá uma regulação da eficácia das sinapses. Se numa primeira fase se "construírem" sinapses "erradas", será difícil "desconstruí-las" na idade adulta...

Adaptado de A educação dos genes, Luís Bigotte de Almeida

sexta-feira, novembro 04, 2016

Genes e livre arbítrio - 2

É um facto assente, hoje em dia, que o determinismo genético não existe, porque os genes apenas influenciam, não originam obrigatoriamente apetites ou aptidões. Alguns autores tentaram encontrar fundamentos de moralidade na evolução biológica, considerando que se esta é um processo natural cujos objectivos são desejáveis, ela será também moralmente aceitável.
A propensão genética para uma dada característica não a torna inevitável, nem tão pouco moralmente aceitável.
Receia-se que o conhecimento do risco genético para uma determinada patologia, na ausência de prevenção ou cura, leve ao afundamento psíquico do paciente ou à sua discriminação. De forma a precaver estas ou outras situações, numerosos países assinaram o Acto de Privacidade Genética no qual ficou bem expresso que o ADN de um indivíduo é sua propriedade privada.

Adpatado de A educação dos genes, Luís Bigotte de Almeida